terça-feira, 16 de setembro de 2014

A lenda do Boto

Para ilustrar a lenda brasileira da região norte do país o Grupo Zabelê criou uma coreografia contando um pouco sobre essa lenda tão instigante.
Dizem que em noites de festa o boto-cor-de-rosa que habita os rios amazônicos sai do fundo das águas e toma a forma de um belo moço beberrão e bom dançarino. Esse moço usa roupas brancas e um chapéu que o ajuda a cobrir as grandes narinas. Com tal disfarce, e um jeito galanteador e falante, o rapaz seduz as moças desacompanhadas durante as danças dos festejos e as convence a ir para o fundo dos rios onde as engravida. Ao raiar do dia o rapaz se transforma novamente em Boto-cor-de-rosa.
Esta lenda é usada para justificar os casos de gravidez fora do casamento. Dessa forma, os filhos de mãe solteira são conhecidos como filhos do boto. Na região norte do Brasil, cada vez que durante uma festa aparece um rapaz bonito, forte, trajando roupas brancas e com um chapéu cobrindo-lhe o rosto é melhor pedir para que o rapaz mostre o rosto, só assim os pais das moças desacompanhadas podem ficar tranquilos.
Dança que conta a lenda do Boto. Festival Internacional do Folclore, Pirapora - 2012




Encenação da Lenda do Boto no Hotel Canoeiros, Pirapora - Junho de 2012

Lenda do Boto encenada em Várzea da Palma, 2012
Várzea da Palma/MG, 2012




Catira ou Cateretê

A Catira é uma dança genuinamente brasileira, ligada à cultura sertaneja do homem do campo (boiadeiros e lavradores). Está presente em várias regiões do interior do país, sobretudo nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, principalmente, em Goiás. Em Minas Gerais a dança é também conhecida como Cateretê
A Catira ou Cateretê é dançada ao som de violas e versos dos cantadores. Nos intervalos entre os versos os violeiros (geralmente dois) marcam o "rasqueado" nas violas e os "catireiros" marcam o ritmo com palmas e com o sapateado. Também pode ser utilizada a sanfona como um dos instrumentos de acompanhamento da dança.
Os Catireiros são os dançadores de catira. Em geral dançam somente homens e aos pares, em filas, uma de frente a outra. Dançam de 6 a 10 pares. Para começar a dança o catireiro cumprimenta o parceiro alinhado a sua frente e logo seguem os movimentos do sapateado e das palmas ritmadas. A forma de dançar parece semelhante em todas as regiões do país, porém há variações que distinguem a dança em cada lugar onde se apresenta. Há algumas figuras que se repetem na maioria das regiões: "escova" (bate-pé, bate-mão e pulos); "serra acima" (rodam uns atrás dos outros, da esquerda pra direita, alternando as batidas de pé e de mão);"serra abaixo" (volta contrária do movimento anterior, onde os dançadores giram batendo alternadamente pés e mãos até voltarem aos seus lugares); ao final os dançadores se cumprimentam novamente e cumprimentam a platéia.
Segundo vários historiadores, a origem da dança remonta dos tempos do Brasil colônia, entre 1563 e 1597, quando o padre José de Anchieta introduziu a catira nas festas de São Gonçalo, São João e Nossa Senhora da Conceição, julgando que a dança e o ritmo eram próprias para tais festejos. A dança se disseminou por todo o país graças aos peões que seguiam junto com o bandeirantes por todo o país. Hoje a dança está presentes nas folias de reis, festas do divino, festas juninas, rodeios e vaquejadas e tantas outras ocasiões em que são solicitadas.
Desde 2009, O Zabelê representa esta dança com 6 ou 8 casais perfilados. 
Outro movimento da Catira ou Cateretê - "Bate-mão"

Pares dançando Catira, executando o "Bate-pé"




Grupo Zabelê com o figurino da Catira

Apresentação da Catira no Forrozando com Você (2011)

Catireiros do Grupo Zabelê na 14º Expociapi em Pirapora (2011)

Show do Zabelê na Festa Uai de Poços de Caldas, 2013

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Moçambique

O Congado está presente por todas as regiões do Brasil. Ele é composto por ternos (grupos) que representam a luta do rei negro (Chico Rei) pela libertação do seu povo. 

O terno de Moçambique pode ser encontrado desde São Paulo a Minas Gerais, além de algumas regiões do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e na região central do Brasil. Em Minas, existe a forte presença dessa dança em cidades como Itapecerica, Dores do Indaiá, São Sebastião do Paraíso, Oliveira, Campo Belo, no povoado de Fagundes e em tantas outras localidades.

O Moçambique é um dos ternos mais antigos do Congado. É uma dança devocional presente nas festas de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. A fé, a tradição e o sentimento de pertencimento ao grupo fazem com que os componentes do terno se organizem e dividam os papéis de rei, rainha, aqueles que carregam o andor e a bandeira do santo homenageado e toda a guarda que escolta o andor tocando, cantando e dançando num cortejo embalado pelo ritmo marcado pelas "gungas" ou "paias", que são os guizos ou chocalhos de latas que os dançantes trazem nos tornozelos. 

Ao som de instrumentos de corda, sanfona e tambores os dançantes, geralmente homens, tomam as ruas em procissão renovando a fé e preservando a cultura do seu povo por meio da dança e da devoção aos santos homenageados.
Rei e Rainha do Congado a frente da Guarda de Moçambique, 2014


Cortejo à Nossa Senhora do Rosário - Andor e estandarte da Santa, Rei e Rainha Congo e a Guarda de Moçambique

Bandeira/Estandarte de Nossa Senhora do Rosário e a Coroa do Rei. Encontro dos Povos do Cerrado, 2008
Guarda de Moçambique em torno do andor de Nossa Senhora do Rosário. 2007 no Festival Internacional do Folclore

Festival Internacional de Folclore em Pirapora, 2007

I Festival Nacional e Internacional de Danças e Etnias, Montes Claros - 2014

I Festival Nacional e Internacional de Danças e Etnias, Montes Claros - 2014











Montes Claros - 2014










































































































Guarda de Moçambique, apresentação no Minas Tour 2012, Belo Horizonte

























Minas Tour, 2012.




























Gungas que a Guarda de Moçambique trás nos tornozelos

sábado, 13 de setembro de 2014

Breve Histórico do Grupo Zabelê



Em 03 de novembro de 1984 o Grupo Zabelê estreia em Pirapora com o espetáculo "Viva à Bahia". Desde que foi criado, em 1984, o Grupo Zabelê reassume a cada dia o compromisso de exaltar a cultura brasileira representando com respeito e reverência as nossas danças e ritmos populares. Hoje o grupo é composto por 20 dançarinos e 12 músicos. O Grupo tem realizado durante seus 30 anos de existência uma série de pesquisas sobre as danças folclóricas brasileiras que resultaram na composição do seu repertório atual que inclui danças de todas as regiões do país: pau-de-fitas, coco de roda alagoano, reis de bois, xaxado, moçambique, catira, ciranda, carimbó, siriá, lundu, São Gonçalo. Para promover a cultura brasileira o grupo já se apresentou em festivais nacionais e internacionais de dança e de folclore, em festas populares e outros eventos culturais. O Grupo Zabelê já se apresentou em várias cidades de Minas Gerais como Poços de Caldas, Belo Horizonte, São Romão, Jequitaí, Brasília e Montes Claros. Além das apresentações de palco e de rua, o Zabelê já participou de documentários sobre a cultura popular e outras participações em programas de televisão. Destaca-se aqui a participação do grupo no documentário "Minas" e a apresentação no programa da Ana Maria Braga, na Rede Globo, em 2014. A história do Grupo Zabelê continua sendo construída graças à dedicação da coordenadora do Grupo, Mariângela Diniz, uma das fundadoras, e graças ao amor dos dançarinos e músicos pela cultura popular.
                                      Componentes do Grupo Zabelê em 1984
(Mariângela Diniz, Maclere Clemente, Tina Diniz, Giovana Ribas, Naira Ribas, Regina Diniz, Mércia Diniz, Sandra Lopes, Maria da Abadia, Fátima Viana, Floriano Diniz, Lúcio Barreto, Ivinho Loppes, Alcides Edson Silva, Dirceu Pereira Sobrinho, Fábio Coelho, Fábio Caldeira, Amadeu dos Santos, Magela dos Santos, Cláudio Fernandes, Mário Lima, Delim Brasil, Sérgio Algusto, Pepé Paraguassu e Pico-piu) 



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Bastidores

Tudo o que acontece por trás das câmeras, antes do palco, antes das luzes e cenários.

Bastidores da apresentação no I Festival Nacional e Internacional de Danças de Montes Claros, setembro de 2014


Bastidores da apresentação no Vapor Benjamim Guimarães em 2009


Bastidores da apresentação no MinasTur em Belo Horizonte, 2013

Em Belo Horizonte, preparativos para a apresentação do Xaxado na Minas Tour (2013)

Bastidores do Encontro de Grupos de Folclore realizado pelo Ponto de Cultura Aruanda em Belo Horizonte (2012)





























Bastidores da apresentação durante a Semana do Administrador no IFNMG - Pirapora (2014)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pau-de-fitas

                                                                              Zabelê apresenta a Dança das Fitas em Belo Horizonte na UEMG, 2000

A Dança das Fitas ou Pau-de-fitas tem suas origens na Europa e está presente em todo o território brasileiro. Devido à regionalização, os ritmos, músicas e jeitos de dançar são diferentes em cada parte do Brasil. Essa regionalização faz com que essa dança receba outros nomes como Trancelim ou Dança do Trancelim (no Ceará); Dança-da-Trança, Dança-do-  Mastro ou Trança-fitas (em Minas Gerais).
A dança acontece em torno de um mastro com fitas coloridas fixadas no topo e com as pontas soltas. Cada dançante segura uma das fitas e todos dançam uma ciranda em volta do mastro fazendo desenhos coreográficos que criam diferentes “trançados” das fitas sobre o mastro. A dança prossegue com os dançantes fazendo os movimentos contrários e desfazendo os trançados e criando novos desenhos.
Tem forte presença nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde é dançada nos festejos juninos, festas gaúchas ou outras festas ligadas às tradições europeias. No restante do país esta dança também está presente nas festas de Reis, do Divino, Natal, Bumba-meu-boi. 
Forrozando com Você, Pirapora 2012.



Zabelê dança o Pau-de-fitas em festejos juninos em Pirapora, 2012
Forrozando com você 2012. 

Apresentação do Pau-de-fitas em Feira Gastronômica, Pirapora 2012

Trançado de fitas sobre o mastro.

Show do Zabelê no Colégio Pirapora, 1999

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Danças Paraenses - Carimbó e Siriá



O Carimbó é uma dança brasileira criada pelos escravos da região nordeste do
Pará, sobretudo na ilha de Marajó, no século XII. Apesar da sua origem afro-brasileira, leva o nome de origem tupi:
 Korimbó (pau que produz som), junção de curi (pau oco) e m'bó (furado, cavado). Esse é o mesmo nome do tambor de tronco de madeira e pele de animal em que o ritmo é tocado para que os casais dancem.
Com o passar do tempo o Carimbó sofreu influências de outras manifestações culturais carregando traços da cultura negra, indígena e ibérica. O ritmo e a dança do carimbó e atravessaram as fronteiras da ilha de Marajó ganhando todo o estado do Pará, sendo hoje considerada Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Nessa dança praiana, homens e mulheres dançam descalços. Eles batem palmas ritmadas e se aproximam das mulheres convidando-as para dançar. As mulheres trajam saias grandes, coloridas e com muita roda. Elas usam assessórios como colares e pulseiras de sementes, enfeites de flores nos cabelos. Os homens usam calças simples, em geral brancas, com as bainhas dobradas, lembrando os negros que catavam caranguejos nos manguezais. 
Os dançarinos formam círculos. Giram em torno do próprio corpo. Os homens cortejando as mulheres que dançam com sensualidade, ambos marcando o ritmo acentuado com os pés (puxando com um pé na frente), o que lembra a influência indígena da dança.

A dança do Siriá expressa gratidão de índios e escravos africanos por um milagre, que foi a aparição de uma grande quantidade de siris fáceis de apanhar que surgiram na praia e lhes serviram de alimento depois de um dia exaustivo de trabalho. Como forma de agradecimento os foi criada a dança com o nome de SIRIÁ que narra o acontecimento ao som de uma variação dos batuques africanos. O Siriá começa com o ritmo lento que se torna frenético logo em seguida. A coreografia acompanha a evolução do ritmo e durante o refrão os casais fazem volteios com os corpos curvados para o lado esquerdo e para o lado direito.

Apresentação do Carimbó - Siriá no "Forrozando com você" em Pirapora, 2011
Apresentação do Carimbó - Siriá no "Forrozando com você" em Pirapora, 2011
Carimbó - Siriá no "Forrozando com você", 2011
Carimbó dançado na festa junina de Pirapora, Forrozando com Você, 2011
Carimbó - Siriá, 2011


Show do Zabelê durante o "10ºFestival Internacional do Folclore de Minas Gerais", em Pirapora, 2012.
Carimbó, no "10º Festival Internacional do Folclore de Minas Gerais", 2012



 Durante a dança do Carimbó os dançantes se divertem com a realização de um desafio lançado pelas damas aos seus pares. O desafio acontece durante a dança do peru que faz parte do carimbó: forma-se um círculo e cada moça joga ao centro um lenço que os dançarinos devem tentar pegar somente com a boca, colocando as mãos para trás do tronco e sem flexionar os joelhos. Cada rapaz que não consegue cumprir o desafio sai envergonhado enquanto a moça continua dançando sozinha ao centro da roda. Aquele que apanha o lenço sem usar as mãos conquista a parceira que fez o desafio e poderá dançar com ela por toda a noite. 


























Carimbó - Siriá no Vapor Benjamim Guimarães, 2012.
























1º Apresentação da Coreografia Carimbó - Siriá, Hotel Canoeiros, 2007.